Rogério Souza Jr./Arquivo/ND
Irmão furtou a identidade do aposentado e utilizou o documento para omitir seu nome para a polícia
Adailton na época em que foi preso por engano pela primeira vez
Trapaceado pelo próprio irmão, o aposentado por invalidez Adailton José dos Passos, 42 anos, corre o risco de passar a Páscoa detido no Presídio Regional de Joinville, mesmo sem nunca ter cometido nenhum dos crimes dos quais é acusado. Ele foi preso na terça-feira passada (26), enquanto registrava um boletim de ocorrência contra um adolescente que havia agredido seu filho na escola.
O motivo: mandado de prisão em aberto em seu nome pelo crime de furto, na cidade de Porto Belo. O problema, segundo a família, é que o autor do roubo foi na verdade o irmão de Adailton, Anderson Luiz dos Passos, que está detido na Penitenciária de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis. Ele furtou a carteira de identidade do aposentado no fim de 2004 e, ao ser preso, usou o documento do irmão para mentir o nome.
“Meu filho de 14 anos levou um soco de um colega na escola e a diretora pediu que a gente fosse dar parte dele, porque é um rapaz que vive arrumando confusão. Meu marido foi lá para registrar o BO, mostrou os documentos e o policial disse que ele tinha mandado de prisão em Porto Belo”, lembra a mulher de Adailton, a auxiliar de limpeza Eliane Gauderth.
Vítima de falsidade ideológica, Adailton é indiciado como réu em quatro processos pelos crimes de roubo e furto. Eram cinco, mas um deles foi extinto depois que a família contratou um advogado, em 2008. “Dois ainda estão tramitando e nos outros dois ele foi condenado a cinco e sete anos de prisão”, explica o cunhado Seumar Luís de Miranda, 30.
Ele reforça que Adailton registrou boletim de ocorrência quando percebeu a perda dos documentos, além de ter a assinatura e as impressões digitais diferentes das do irmão, que chegou a ser reconhecido pelas vítimas de assalto. Mesmo assim, continua respondendo pelos crimes
Família sem condições de pagar advogado
A família de Adailton José dos Passos está indignada porque o advogado contratado há quase três anos para livrar o aposentado da prisão cobrou R$ 3.000, porém não limpou o nome dele na Justiça. “Ele não limpou o nome do meu marido. Simplesmente quer processar o Estado pelo erro. Mas nada foi feito. Vai começar tudo de novo”, reclama a mulher.
De acordo com Eliane, o defensor ainda exigiu mais R$ 3.000 para retomar a causa, além de R$ 1.000 em gasolina para ir à Capital. “Ele disse que tem que ir até Itajaí, em Florianópolis e quer o dinheiro para gasolina.”
O advogado foi contratado em 2010, depois que uma intimação do Fórum de Porto Belo chegou na casa de Adailton. No documento, estava escrito que ele estava condenado a sete anos e quatro meses de prisão pelo assalto contra uma joalheria da cidade.
Mas a primeira confusão na qual o aposentado é acusado de se envolver teria ocorrido em 2008. Na época, ele trabalhava para uma empresa que foi assaltada em Braço do Trombudo, no Vale do Itajaí. Os funcionários que estavam em expediente foram levados para depor na delegacia e Adailton ficou preso por quatro horas depois que o delegado verificou seus antecedentes criminais. “O delegado pediu perdão e liberou ele”, conta a mulher, depois de conseguir desfazer o engano.
Ela e a irmã de Adailton e Anderson, Fabiana dos Passos, 40, conseguiram outro advogado, mas com o ponto facultativo e a Sexta- Feira Santa, dificilmente será possível conseguir o habeas corpus para ele passar a Páscoa com a mulher e os quatro filhos. “Foi um erro grave”, lamenta Fabiana. Ambas se preocupam com o estado de saúde debilitado de Adailton. Ele sofre de artrite, artrose e tem um ferimento necrosado nas costas. “Tomara que ele esteja na triagem ainda. Disseram que a gente só vai poder fazer alguma coisa na segunda-feira, quando ele tem audiência às 13h”, diz Eliane.
Advogado garantiu só cobrar honorários
Procurado pelo Jornal Notícias do Dia, o advogado contratado pela família de Adailton garantiu que cobra apenas seus honorários. “Eu cobro meus honorários. Não trabalho de graça. Eles querem que entre com um novo processo e preciso cobrar. Tenho que ir até Florianópolis.” Ele não quis entrar em detalhes do caso nem encaminhou a família à defensoria gratuita.
Notícias do Dia
Publicado em 29/03-15:55 por: Cláudio Costa.
Atualizado em 30/03-08:16
Atualizado em 30/03-08:16