Noite tenebrosa em Porto Belo
Sexta feira agitada em Porto Belo. Pela manhã a Prefeitura começou a cercar uma área nas imediações da Av Governador Celso Ramos, Perequê, que está em demanda judicial, e com um forte aparato policial, a empresa contratada deu inicio a colocação da cerca. Na parte de dentro da área cercada ficou vários veículos pertencentes ao comerciante Vilmar Malheiros dos Santos, mais conhecido por Preto, que que tem sua oficina e residência ao lado do local cercado, e que está em demanda com a Prefeitura. Durante o dia já era notória sua indignação pelo que estava acontecendo. Mas a situação piorou. Enquanto estava com a esposa em Balneário Camboriú, por volta dás 23 hs, os veículos de sua propriedade que estavam dentro do cercado colocado hoje, foram destruídos por um incêndio criminoso. Bombeiros, polícia, ambulâncias e uma multidão de curiosos deixavam o local com cenário de guerra. A pergunta que se fazia era quem e qual o motivo levaram a cometer tal ato. Ao lado dos veículos tinha um galão plástico cheiro forte de gasolina, muito provável que tenha sido usado para botar fogo nos veículos.
Dez veículos foram incendiados por volta das 23h15 desta sexta-feira em Porto Belo. O incêndio ocorreu em uma área do bairro Perequê que começou a ser cercada pela prefeitura. A determinação atende uma decisão judicial para garantir que o local não seja ocupado irregularmente.
Os veículos que pegaram fogo estavam dentro da área que a prefeitura cercou. De acordo com o Corpo de Bombeiros e a Polícia militar, ainda não é possível afirmar o que causou o incêndio e nem a autoria. No entanto, há suspeita de que possa ter sido um ato criminoso. Para apagar as chamas foram usados 8 mil litros de água durante mais de 1h.
O proprietário dos automóveis e morador do local há 15 anos, Vilmar Malheiros dos Santos, conta que o prejuízo passa de R$ 100 mil. Segundo ele, este já é o sexto incêndio que acontece no terreno.
— Vivemos em clima de guerra, não dá pra sair de casa. A gente teme que isso não vai acabar bem. Os moradores querem defender o que tem, não iam sair por ai botando fogo. Queremos saber qual o próximo passo — questiona.
Santos também reclama que quando iniciou a colocação da cerca não foi deixado um espaço para retirar os veículos:
— Faz 15 anos que sou proprietário desse terreno e nunca fui ouvido nesse processo judicial que está tramitando, não tive direito de defesa. O oficial de justiça disse que ia deixar um espaço para retirar os carros e de tarde fecharam tudo. É um terreno cadastrado na prefeitura, com inscrição imobiliária. Eu pago imposto há mais de 10 anos — explica.
Cerca causa revolta
A instalação das cercas começou na sexta-feira na área localizada na SC-412, bem em frente ao shopping Porto das Águas, no acesso à cidade. Os moradores foram surpreendidos pela ação da prefeitura e temem que por conta disso sejam retirados do local sem aviso prévio.
O procurador de Porto Belo, Valmor Guerreiro filho afirmou não é de interesse do município retirar os moradores, até porque grande parte já entrou com ações na Justiça para regularizar seus imóveis. O que foi feito, segundo ele, foi para garantir que não surjam novas construções no local.
A prefeitura também informou que só foi cercada uma área que não era ocupada. No entanto, o morador Renato Chimiloski não tem mais como tirar o carro da garagem e precisa pular a cerca toda vez que for entrar em casa.
— Não é a primeira vez que isso acontece, já vieram derrubar casas. A gente não tem vez, nem voz. Estão se aproveitando da liminar para intimidar os moradores — afirma.
Chimiloski diz que comprou seu terreno em 2008 e pagou R$ 55 mil. Ele também conta que possui uma ação de uso capião tramitando na Justiça, mas teme que seja retirado de casa ou que uma tragédia aconteça.
— Tenho mulher e uma filha de quatro anos, a gente não tem pra onde ir, se nos tirarem daqui vamos pro meio da rua e outras famílias estão na mesma situação. Não conseguimos trabalhar em paz por medo de que pegue fogo nas casas — desabafa.

